Inovação Social: Por que um CRO é sim para mim e a minha empresa?

August 21, 2019

Por Patricia Busatto

 

Hoje quero falar de inovação social: da necessidade tão ESSENCIAL de se criar um novo cargo dentro das organizações, o CRO. Trata-se de algo disruptivo ainda que (e talvez exatamente por isso) tão simples. 

 

O cargo de “CRO”: Chief Relationship Officer, ou Chief Reading and Relationship Officer, comporia com as demais posições de C-level (CEO, CFO, CMO, COO, CHRO, etc.). 

 

Essa nova posição não se sobrepõe à de RH, não retira responsabilidades de RH e as realoca para si, não é uma redistribuição de tarefas. Trata-se de algo novo, ou talvez de tornar explícito algo sutil, que às vezes já é desempenhado por alguma pessoa na empresa ou consultor. Mas que precisa ser mais e mais valorizada: pelo benefício que traz.

 

A principal contribuição desta posição é trazer um olhar desde dentro, envolvido, ampliado, que permite entender as relações entre as pessoas, para lidar com as questões que estão entravando o fluir dos processos decisórios chave ou mesmo do trabalho de rotina. Ela parte do pressuposto que enxergar algo já é em si solucionar algo (assim como uma pergunta bem formulada que contém em si a resposta), e contribuir com sugestões do que pode ser feito.

 

Pode parecer algo muito sutil, intangível e talvez desnecessário, mas pensa na sua experiência: quanta coisa não entrava por conta de um mal-estar, indisposições entre pessoas ou áreas, uma falta de “azeite no processo”, uma falta de compreensão da situação de modo amplo, um não se dar conta do que aquilo poderia gerar mais para a frente e se surpreender com consequências indesejáveis. 

 

O CRO tem relevância em momentos cruciais, por exemplo, tomada de decisão crítica, questões estratégicas, seja por mudança, redefinição de caminhos, relações estremecidas (entre sócios, empreendedores, parceiros, líderes), como também nos momentos que tudo parece um marasmo.

 

Qual seria o principal “fazer” dessa posição? Como seria seu job description? Seu papel chave é a observação e a apresentação da situação, ampla, clara, desnuda, coerente e reconhecida por todos. O invisível tornado visível: não apenas a poeira que estava debaixo do tapete, mas também desdobramentos do que se apresenta. O papel primordial seria observar, a partir de uma perspectiva fresca, isenta, ainda que envolvida, fenomenológica (que presta atenção naquilo que está à sua frente). Tem o papel de trazer uma leitura, uma tradução e uma apresentação do fenômeno observado (situação crítica por exemplo), de modo que as pessoas envolvidas possam olhar aquilo com uma perspectiva mais ampla, mais múltipla, mais plural. Que possam estar olhando para uma mesma imagem, ampla, completa – não como os cegos que tateiam o elefante e cada um tem uma perspectiva, correta se tomada individualmente, mas nenhum é capaz de ver o todo. Como consequência, que possam a partir dessa perspectiva ampliada a se orientar e navegar melhor. Dar as mãos e se ajudar, ao invés de se atrapalhar.

 

Nesse mundo cada vez mais complexo e com mudanças aceleradas, tem sido muito difícil ancorar nossas escolhas, decidir com segurança a partir do que nos orientamos para decidir os próximos passos. Essa seria um apoio neste sentido. Uma baita posição. Uma função que nunca existiu, uma função nova e, portanto, muito especial. 

 

Desempenho esse papel para meus clientes, algumas vezes apoiando-os em momentos bastante pontuais, outras vezes mais no longo prazo. Um cliente muito especial, por exemplo, acompanho já há oito anos. Momentos que envolvem desde por exemplo conhecer potenciais novos sócios para suas empresas e contar para eles como vejo isso funcionando, antecipar consequências e riscos, e conversar sobre como trabalhar isso. Momentos que envolvem compras ou vendas de negócio. Momentos de saída de parceiros ou sócios. Momentos de conflito.

 

Só agora vejo genuinamente o contorno e o recorte desse papel, e acho crucial preparar mais pessoas que sejam capazes de olhar e ler ambientes, situações, dilemas, organismos complexos como o são as empresas e as situações sociais (que envolvem as pessoas, o sutil, o olho no olho, as simpatias e antipatias entre as pessoas). Ler as relações e saber quais são as  alavancas-chave que precisam ser mobilizadas, sensibilizadas, tocadas. Quais são os pontos de acupuntura que precisam ser trabalhados com as pessoas dentro e fora da organização para maximizar resultados. Formar pessoas com essa habilidade seria também um dos papéis do CRO – um cargo portanto que se extingue com o tempo. 

 

Num próximo artigo quero contar como desenvolver essas habilidades nas pessoas ou em si mesmo. Mas uma primeira dica tem a ver com ampliar a consciência, e um jeito de entender “consciência” é como a soma (num sentido lato) entre intencionalidades, ações e consequências.

 

Fez sentido para você, para o que você vive ou sua empresa? Vai ser um prazer conversarmos sobre isso!

 

 

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